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NOSSOS MENINOS - Que se tornem homens de verdade

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NOSSOS MENINOS – Que se tornem homens de verdade

Que nossos meninos cresçam em plenitude, livres e tornem-se homens de verdade e não limitados por um machismo imaturo, primitivo e sem sentido.

Os meninos, nossos meninos, nossos homens de amanhã, que ensinemos a eles, ainda cedo, a serem homens de verdade, a serem homens que pensam com a cabeça, capazes de sentir e perceber, homens capazes de chorar, que respeitem a vida, que se aceitem plenamente, sem se comparar a outros homens, que aceitem esses outros sem vê-los como concorrentes e que adorem as mulheres como suas outras metades, como a parte que lhe falta para que sejam completos e realmente felizes. Que entendam que o sentido de ser gente é ser gente livre, livre de laços e prisões, liberta do conceito de que homem é macho e macho é realmente homem, sabendo que todo homem é mais do que isso.

Que nossos meninos aprendam desde cedo a desconfiar da imagem arcaica do homem que vemos até hoje, a questionar esse desvio no desenvolvimento da masculinidade, esse erro da evolução, que impediu que os homens progredissem também na sua identidade sexual. Crescemos em tantos aspectos, dominamos a técnica, mandamos mulheres, homens e macacos para o espaço, mas fracassamos em controlar a animalidade masculina, que ainda estupra, bate, maltrata, despreza mulheres e a vida, que leva marmanjos a se comportarem como selvagens, “brigas de galo”, gladiadores, homófobos, trogloditas, irresponsáveis como pais, fracassados como maridos, imbecis. Em nome da potência masculina ainda matamos tubarões, rinocerontes e muitos outros animais e investimos tanto em remédios que garantam a potência eterna, “viagramos” pelo mundo em pílulas azuis e coquetéis de catuaba e guaraná, mas somos incapazes de curar a AIDS potencializada pela masculinidade deturpada desses homens infelizes, irresponsáveis, egoístas, limitados e pobres, que escravizam, violentam, dominam e amedrontam. Uma sexualidade desviada e exagerada, desesperada, que não leva a nada e termina na busca de consolo solitário em pornografia virtual. Uma sexualidade doente, que leva ao ridículo, comparando tamanho, esticando e puxando, tentando aumentar o cordão genital de machos vazios.

Os meninos, nossos meninos, que eles sejam mais do que isso, que eles sejam plenos, que busquem a verdade e uma sexualidade que os traga real satisfação, além de um orgasmo, mais perto do espírito. Que sejam mais que brutamontes em arquibancadas de estádios, que beberrões em tamboretes de bares e loucos atrás de volantes de automóveis. Que não lhe baste a batucada e o pagode, que queiram mais que o grito de gorila, que aprendam o valor da sensibilidade, da coragem de ser profundo e que não se envergonhem por ver, por exemplo, a beleza de uma flor ou se deixar inspirar pelo pôr do sol.

Que nossos meninos cresçam em plenitude, livres e tornem-se homens de verdade e não limitados por um machismo imaturo, primitivo e sem sentido.

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O autor:

Apaixonado por palavras, viciado em escrever, fazendo uso das liberdades mais essenciais que temos: a liberdade de sentir e a liberdade de pensar. Escrevo sobre o que passa por minha cabeça, sobre coisas que vejo, escuto e vivencio diariamente, enfim, escrevo sobre a vida e suas facetas, sobre o mundo e suas entranhas e sobre o ser humano, com seus sonhos, medos e esperanças. Escrevo sem “luvas”, tocando no assunto, pouco preocupado em agradar, querendo mais é mexer com o leitor, de forma clara, suavemente subversiva, mas sempre carinhosa e profunda.

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