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Um peso, duas medidas: a falsa moral do Facebook

Sociedade

Um peso, duas medidas: a falsa moral do Facebook

Imagens que mostrem um pouco mais de pele ou mesmo uma mãe amamentando sua criança são consideradas imorais, enquanto cenas de chacinas, violência de tudo quanto é tipo, comentários racistas e homófobos e outras aberrações são aceitas por essa empresa, que torna-se cada dia mais arrogante, ao ponto de se achar uma instância moral.

Imagine: você tem um site e publica sobre temas que se referem à vida. Sexualidade faz parte da vida e é também abordada ou pelo menos tangida em um ou outro post.

Aí você pega uma foto para ilustrar o artigo e, é claro, a imagem é ligada ao tema e mostra assim um pouco mais de pele, mas sem abandonar o bom nível, nada de imagem de mau gosto, nada de pornografia ou imagem ofensiva. Na verdade, a imagem é tão inofensiva que pode ser vista sem problemas até mesmo por crianças.

O único problema da imagem é mesmo mostrar um pouco mais de pele. Quer dizer, problema para o Facebook! Qualquer ser humano normal e inteligente não vê nada demais, mas o Facebook vê, ao ponto de remover o post ou de até mesmo bloquear a página.

A ira moralista vai tão longe que até fotos de mães amamentando são taxadas de imorais e rejeitadas.

O pior é que essas remoções/bloqueios ocorrem muitas vezes sem qualquer alerta, sem qualquer diálogo e nem mesmo se recebe uma explicação, numa tremenda demonstração de falta de respeito por nós usuários.

Facebook, que é somente uma empresa, rica e poderosa, mas APENAS UMA EMPRESA que quer nossos dados para ganhar dinheiro, nos trata com arrogância e tenta se instalar como instância moral. Mas é uma instância de falsa moral!

Imagens de Cachorro sangrando? Pode! Gente agonizando antes da morte? Pode! Cenas de guerra, terror e violência? Pode! Idoso sendo espancado? Pode! E podem tantas outras aberrações. Mas uma mãe amamentando? Não pode! Mostrar as curvas de uma mulher em um artigo sobre os riscos de depilação íntima? Não pode!

Facebook age com um peso e duas medidas, proibindo coisas já vastamente aceitas na sociedade em nome de um conceito conturbado de moral, mas permite, ao mesmo tempo, coisas realmente abomináveis e moralmente inaceitáveis.

Na Alemanha, o governo está ameaçando o Facebook com multas altíssimas para obrigar essa empresa a remover postagens que contenham discurso de ódio, racismo ou qualquer forma de discriminação, já que, até agora, esse tipo de posts não incomodou Mark Zuckerberg e sua equipe, que, pelo jeito, têm é medo de ver pele, bundas e peitos.

O que se esconde por trás disso? Difícil de saber. Mas fica a desconfiança de que seja uma tentativa de agradar um certo público conservador e muito influente nos Estados Unidos, que quer impor ao mundo seu conceito de moral, por mais rídiculo, absurdo e perverso que seja.

O problema é que nós, usuários do Facebook, ao permanecermos por lá, terminamos sendo reféns dessa gente, principalmente quando publicamos e usamos essa rede social para a divulgação de nosso trabalho (e assim dependemos dela).

Nada nos resta além de aceitar as regras e o moralismo deles, mesmo que seja hipócrita, mesmo que não tenha qualquer nexo.

De minha parte, vou continuar tratando do tema sexualidade, tanto faz se o Facebook vai gostar ou não. Mas vou ter cuidado com as imagens. Penso em ilustrar meus posts sobre esse tema somente com fotos de mórmons americanos conservadores e incestuosos, pois acho que com essas fotos o Facebook não terá qualquer problema.

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O autor:

Sou apaixonado por palavras e viciado em escrever. Escrevo sobre o que vejo, escuto e vivencio diariamente, sobre a vida e suas facetas, sobre o mundo e suas entranhas e sobre o ser humano e seus sonhos, medos e esperanças. Escrevo sem luvas, sempre tentando tocar no assunto, de forma clara, suavemente subversiva, mas sempre carinhosa e profunda.

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