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Blog de Gustl Rosenkranz
dizer não

Você sabe dizer não?

23 de fevereiro de 2015
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Dizer NÃO não é tão simples como parece.

Você gosta de mim? Não, não digo, então digo que sim, mesmo não gostando. Você me ama? Claro que não, mas: “Claro que sim!”. Por medo de ferir, por medo de ver sofrer e sofrermos juntos, negamos o não, preferindo o sim ou o não sei ou mesmo o talvez, e fazemos de tudo para não dizer o não, mesmo quando deveríamos dizê-lo. Você vem para minha festa? Vou nada, penso então, mas digo que vou, pois assim quem pergunta não se decepciona logo, só depois, na hora da festa, mas eu não vou estar lá e não vou ver sua decepção.

Então, saímos por aí, fugindo da negação, sofrendo com coisas e situações, que não queremos, mas aceitamos, por não sabermos ou não querermos dizer não. É aquela visita, que já deveria ter ido embora, mas fica “enchendo o saco”, e nós continuamos na sala sorrindo o sim, mas com a vassoura de cabeça para baixo atrás da porta. É quando vivemos aceitando que outros se intrometam em nossa vida porque não temos o peito de dizer que não queremos isso, permitindo intromissões e palpites de pai, mãe, filhos, amigos, colegas de trabalho ou de escola, vizinhos… Ou então o amigo ou a amiga, que apareceu de novo para pedir alguma coisa, já que sempre só pede, nunca oferece, e está ali de novo pedindo e recebendo, já que mais uma vez preferimos calar nosso não, dizendo que sim, mas chorando (ou xingando) o não dentro de nós.

Fazemos isso por gentileza, por não querer ferir o outro, mas também por insegurança ou por simplesmente não termos aprendido de forma diferente. Uma criança que cresce em um ambiente de adeptos do sim também terá dificuldade de dizer não, mesmo mais tarde, quando adulta.

Muitas vezes não dizemos o não por medo, um medo irracional, mas muito comum: o medo de não ser amado. Dizemos sim, mesmo não querendo, por medo do outro se sentir ferido, se chatear, fechar a cara, brigar, cortar o contato ou “catástrofes” maiores. Eu já encontrei neste mundo muita gente que faz de tudo para agradar aos outros, aceitando muitas vezes situações indignas em nome de uma amizade, é gente que vive praticamente o tempo todo buscando o reconhecimento da família ou da comunidade, seja real ou virtual. Essas pessoas são vítimas fáceis para aqueles que sabem usar essa “fraqueza do não” para explorar a disposição da pessoa de dizer sim. As famílias são especialistas nisso. Elas adoram criar situações nas quais os filhos só têm uma opção: dizer sim. Quando um filho ou filha se ousa dizer um não, é logo punido com uma demonstração de desamor. Uma chantagem que infelizmente funciona.

Sempre que queremos dizer um não, mas não o dizemos, seja lá por qual motivo, esse não não sai, ele fica entalado dentro de nós, ou seja, enquanto damos um sim ao outro, damos um não para nós mesmos. Isso é negar-se. E é claro que isso não faz bem. Um belo dia, ficamos entalados com tantos nãos que terminamos nos sentindo sufocados. Também não é bom dizer não só por dizer, só para contrariar, pois assim se nega o sim, o que é tão pouco produtivo como negar o não.

Tenha consciência de que você, e somente você, é responsável por sua felicidade. Acredito que quanto mais uma pessoa se aproxima de si mesma, maiores ficam suas chances de ser feliz. E é esse o compromisso que você tem com você mesmo: o de cuidar dessa aproximação. O não que você deixa de dizer ao outro lhe afasta de você mesmo. No momento que você tiver coragem suficientemente para reconhecer tudo aquilo que você realmente quer ou não quer, diferenciando e sinalizando isso claramente através de seus sins e nãos honestos, pode até ser que uma ou outra pessoa se afaste de você, mas tenha certeza de que os que ficam terão um maior respeito por sua pessoa, e esses sim são seus amigos de verdade. Amigo de verdade (ou parente maduro) aceita um não sem questionar o relacionamento. Tente dosar seus nãos (e também seus sins) de uma forma sensata e viver uma vida menos sufocada por tantos nãos não ditos 😉

Blogueiro, estreado na Bahia, residente em Berlim, brasileiro de nascença, alemão por opção, adepto da empatia e da gentileza, fã de boa argumentação, apaixonado por palavras, observador, escreve sob a vida e tudo que a toca.
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