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Pedaços de mim

Pedaços de mim

Refletindo, percebi que nos sentimos bem quando estamos em equilíbrio, com as coisas que nos cercam, com as pessoas que nos são importantes, mas também quando há equilíbrio entre os pedaços que nos compõem, com tudo que temos dentro de nós, já que somente com todos nossos pedaços somos completos, plenos, inteiros.

Corte uma laranja no meio e ela deixará de ser uma laranja inteira. O que temos então são duas metades, dois pedaços opostos, um talvez com mais caroços, um talvez maior que o outro. O mesmo vale para o ser humano: separe seus pedaços e ele perde sua integridade, ele deixa de ser um todo. E também seus pedaços podem ser opostos e maiores ou menores, com mais ou menos “caroços”.

Se buscamos o equilíbrio, devemos então buscar a união de nossos pedaços, de tudo aquilo que temos dentro de nós, mesmo que sejam coisas opostas, mesmo que pareçam incompatíveis, contraditórias, incongruentes.

Vejo meus pedaços, muitos pedaços, que se encaixam e formam o que sou, como um quebra-cabeça. Mas, às vezes, pego o pedaço errado e tento encaixá-lo onde não devo, e é claro que não se encaixa e me sinto angustiado. É quando pego, por exemplo, o pedaço alegria e tento encaixá-lo no lugar da felicidade, quando quero encaixar a qualquer custo a paixão no lugar do amor ou quando confundo minha indiferença com tolerância ou algum (pre)conceito com sabedoria. Nessa confusão de pedaços, as coisas não se encaixam e gasto tempo e energia, pois o que não cabe não contribui para meu equilíbrio, fazendo minha vida mais difícil e meu caminho mais pedregoso.

quebra-cabeca

Outras vezes, tiro um pedaço de mim, o afasto, por achar que não serve, por crer que não tem lugar lá dentro, porque não o quero, o rejeito, porque preferia não o ter, ignorando que preciso dele para encaixar no oposto e me equilibrar. Assim, rejeito, por exemplo, meu egoísmo por querer ser somente generoso, sem perceber que então dou demais de mim e sofro, já que não há equilíbrio quando sou tão generoso que me deixo de pensar também em mim. Ou então o contrário: seguro o egoísmo e desprezo a generosidade, sem perceber que dou muito pouco de mim e sofro, já que também aqui falta equilíbrio, o equilíbrio de dar e receber, fazendo-me querer mais e ignorando as necessidades alheias e me expondo ao risco de terminar solitário nesta vida.

Temos pedaços grandes, pedaços pequenos, claros e escuros, simpáticos e feios, nobres e mesquinhos, enfim, temos pedaços de tudo quanto é tipo e precisamos de todos eles para sermos completos. Então, não rejeite qualquer pedaço seu, mesmo que não lhe agrade, mesmo que lhe envergonhe, mesmo que você preferiria que ele não fizesse parte de você. E tenha cuidado com pedaços que não são seus, que alguém (ou mesmo a vida) colocou em você, já que esses pedaços, por não serem seus, não se encaixarão em lugar algum, ficarão soltos dentro de você e só servirão para incomodar e deturpar aquilo que você realmente é.

Pedaços que faltam ou que são encaixados à força onde não devem nos tiram do centro, nos tiram do sério, nos tiram da vida e nos fazem sofrer, pois ficamos incompletos e não podemos nos aceitar como realmente somos, já que um ser completo e equilibrado tem todos os pedaços encaixados no devido lugar.

É importante, portanto, conhecer seus pedaços e aceitar todos eles como partes suas, sem as quais você não é você. E, depois de conhecê-los e aceitá-los, permita que eles se encaixem, se completem, formando seu ser, pois somente assim você encontrará o equilíbrio que precisa para viver mais satisfeito e feliz.

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