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Blog de Gustl Rosenkranz
Dia 2 de fevereiro é dia de lixo no mar

Dia 2 de fevereiro é dia de lixo no mar

1 de fevereiro de 2015
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Contradições de um mundo “moderno”: politeísmo, culto a Iemanjá e destruição do meio ambiente
Lixo no mar na Festa de Iemanjá

Imagem: asapaijoaquimdecambinda.blogspot.de

Religiosidade se mistura com religião, multidões vão para a praia e homenageiam Iemanjá, sem que a maioria nem saiba realmente o que está comemorando. A tradição manda dar presentes, jogá-los na água para ser levados pela maré, para satisfazer a “rainha do mar”. E as Marias vão com as outras, participam e lá vão mais e mais presentes…

Independentemente da crença, fica a pergunta: como poderia Iemanjá ficar realmente satisfeita com tanto “lixo”? Cientistas têm alertado através de vários estudos sobre o alto grau de poluição de nossos mares por resíduos de materiais plásticos, peixes estão morrendo sufocados, nanopartículas desses materiais misturam-se ao plâncton e são digeridas pelos habitantes de nossos oceanos, acumulando-se na carne dos animais que depois consumimos, sem que se saiba ainda direito que efeitos isso traz para o organismo humano. Passamos o ano sujando os mares com lixo plástico e, uma vez por ano, homenageamos sua rainha e protetora de uma forma contraditória e dúbia: com mais “lixo” ainda!

Presente_IemanjaNo ponto de vista religioso, a história do homem ocidental moderno começou em Canaã, com o fim do politeísmo e o início da crença em um só Deus (vide Antigo Testamento). Acredita-se que essa transformação religiosa teve papel importante no desenvolvimento do homem atual e é vista como passo marcante no processo de civilização do mundo, sem querer aqui entrar no mérito disso ter sido bom ou ruim. Fato é que observo que há uma persistência politeísta em várias partes do mundo (o que não julgo) e uma relação entre tal politeísmo e certo atraso de mentalidade e contradição de comportamento (o que acho preocupante), que é o que vejo também na tradição da Festa de Iemanjá: a homenageamos enchendo sua casa (o mar) de lixo plástico, sem pensarmos nas consequências e sem questionar tal comportamento contraditório e insensato. Pessoalmente, nada tenho contra o politeísmo ou qualquer forma de manifestação religiosa, mas não gosto de falta de coerência, que é o que vejo aqui.

Blogueiro, estreado na Bahia, residente em Berlim, brasileiro de nascença, alemão por opção, adepto da empatia e da gentileza, fã de boa argumentação, apaixonado por palavras, observador, escreve sob a vida e tudo que a toca.
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