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Juntos ou separados: pai é pai, mãe é mãe

Pai e mãe não se separam. Se o casal se separa, quem se separou foi a mulher e o homem, não a mãe e o pai, que continuam tendo a mesma responsabilidade e as mesmas obrigações perante os filhos.

Escutei alguém dizendo que é sempre melhor para os filhos se os pais ficarem juntos. Escutei e discordei, pois acho que muitas vezes seria bem melhor se os pais se separassem. É horrível ver o sofrimento de crianças em meio às eternas crises dos pais. 

Claro que seria ideal se tudo fosse perfeito, se mãe e pai se amassem eternamente e as crianças crescessem numa família feliz, mas sabemos que essa não é a realidade de muitos casais. O amor nem sempre é eterno e outras vezes nem existiu (já que foi confundido com paixão, atração ou carência), o casal já não se completa, o entendimento é difícil e muitas vezes se perde o controle e a coisa termina em brigas cada vez mais frequentes. Não creio que um relacionamento assim faça bem às crianças e, em muitos casos, uma separação dos pais pode ser sim uma opção melhor para elas.

Penso, todavia, que duas pessoas maduras, que se uniram voluntariamente, por se amarem, que tiveram filhos, sentem-se responsáveis por eles e por seu bem-estar e os ama de verdade nem vão ligar uma coisa à outra, pois elas sabem que quem estaria se separando seria o casal, não pai e mãe, já que pais não se separam. Nem tem como. 

Mesmo quando uma mãe não é uma boa mãe e um pai não é um bom pai, eles continuam pai e mãe. Sei que tem homem que, depois da separação, desaparece da vida dos filhos, mas isso tem a ver com falta de caráter, que não o isenta da responsabilidade que tem quem é pai. Ele continua pai, um mau pai, mas pai. 

Se um homem (o mesmo vale para uma mulher!) não cuida dos filhos, ele peca contra carne de sua carne e, assim, contra si mesmo, um erro que ele carregará consigo pelo resto da vida e sei que o arrependimento costuma vir, mais cedo ou mais tarde, muitas vezes tarde demais, infelizmente.

Pai e mãe não se separam.

Pai e mãe não se separam. Se o casal se separa, quem se separou foi a mulher e o homem, não a mãe e o pai, que continuam tendo a mesma responsabilidade e as mesmas obrigações perante os filhos, que têm a TAREFA COMUM de acompanhá-los, orientá-los, educá-los e prepará-los para a vida, de preferência uma vida como adultos felizes.

Se o casal se separa, nada muda nessa tarefa que os dois receberam para cumprir juntos. E se ambos tiverem o claro objetivo de agir da melhor forma PARA OS FILHOS, eles conseguirão administrar a separação de uma maneira madura, civilizada, sem que isso interfira (demasiadamente) no seu papel de pai e mãe.

O que não pode acontecer é qualquer forma de instrumentalização da(s) criança(s), seja como desculpa para manter um relacionamento fracassado por medo das consequências de uma separação ou, mais tarde, depois da separação, para se vingar, chantagear ou ferir o outro ou judiar de qualquer outra forma dos filhos para satisfazer caprichos egoístas dos pais. Quando uma pessoa adulta instrumentaliza crianças em suas guerrinhas mesquinhas, isso tem um nome de três letras, mas não é nem pai, nem mãe. É ego. Não é amor, não é dedicação, é simplesmente puro egoísmo.

Portanto, em minha opinião, nem sempre é melhor para as crianças se os pais ficarem juntos. Há casos em que é até melhor se separar. O importante é entender que pais continuam pais, tanto faz se juntos ou separados. Nossos filhos precisam em primeira linha de bons pais. Se esses pais forem também um casal feliz, melhor ainda. Mas, se não, ainda assim continuam sendo pai e mãe. Não muda nada.

PS : Mesmo que falei o tempo todo de pai e mãe (homem e mulher), o mesmo vale para outras constelações: pai e pai, mãe e mãe. Repito: pai é pai, mãe é mãe. Também aqui não muda nada.

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O autor:

Sou apaixonado por palavras e viciado em escrever. Escrevo sobre o que vejo, escuto e vivencio diariamente, sobre a vida e suas facetas, sobre o mundo e suas entranhas e sobre o ser humano e seus sonhos, medos e esperanças. Escrevo sem luvas, sempre tentando tocar no assunto, de forma clara, suavemente subversiva, mas sempre carinhosa e profunda.

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