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O bicho-sabão

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O bicho-sabão

Esta é a história do bicho-sabão, que (re)encontrei hoje por acaso, ao mexer em papéis antigos. Não sei bem quando escrevi e desenhei isso. Acredito que foi ainda na adolescência, mas não sei mesmo. Talvez seja uma história um pouco ingênua, mas fiquei feliz por ver que eu, naquela época, já havia entendido que não se prende a liberdade e que ninguém pode ser feliz sem ela.

Você conhece o bicho-sabão? Não?
Então você deveria conhecê-lo!

O bicho-sabão é um bichinho muito interessante, diferente de outros bichos que a gente conhece.

O bicho-sabão
O bicho-sabão feliz, dando cambalhota

Apesar do nome, o bicho-sabão não é feito de sabão. Ele se chama assim por ser lisinho como sabão e escorregar para longe, assim que alguém tenta segurá-lo.

Por isso, ninguém consegue agarrá-lo. Basta tentar e ele escorrega e dá no pé!

O bicho-sabão é um animalzinho muito sorridente, que passa os outros bichos muita energia positiva, alegra a floresta e ilumina onde é escuro.

O bicho-sabão adora música
e só vive cantando,
sorrindo
e brincando!

O bicho-sabão cantando

É uma gracinha esse bicho-sabão!

O bicho-sabão é feito de liberdade. Ele nasceu para ser livre. Se for preso, entristece e fica deprimido.

Todos os animais da floresta gostavam do bicho-sabão, não, espere aí, nem todos. Havia um bicho estranho, que não gostava: o bicho-vinagre.

O bicho-vinagre não era feito de vinagre. Ele se chamava assim por ser um bicho azedo, mal-humorado, que não gostava de ninguém. E ninguém gostava dele.

Assim, o bicho-vinagre não gostava nadinha do bicho-sabão porque se sentia incomodado por sua alegria.

Um dia, com muita raiva, o bicho-vinagre fez uma gaiola bem forte, armou uma emboscada e prendeu o bicho-sabão. Depois, pendurou a gaiola numa árvore, bem no alto, para que todos os outros animais vissem o bicho-sabão preso e triste.

O bicho-sabão na gaiola do bicho-vinagre

E o bicho-sabão ficou realmente triste, perdeu o sorriso e parou de iluminar a floresta com sua alegria.

A floresta escureceu e os outros bichos também ficaram tristes e sentiram muita falta do sorriso do bicho-sabão.

O bicho-sabão
O bicho-sabão triste

Enquanto o bicho-sabão ficava mais e mais triste, todos na floresta pensavam:

“Não se pode prender a liberdade! Triste assim, o bicho-sabão vai morrer e com ele a liberdade também morrerá!”

Somente o bicho-vinagre estava muito satisfeito com o bicho-sabão como seu prisioneiro.

Mas, então, começou a chover na floresta. O bicho-sabão tomou muita chuva e ficou até um pouco resfriado, mas, molhadinho, o bicho-sabão é como sabão: escorrega que é uma beleza!

E o bicho-sabão escorregou da gaiola
e voltou a sorrir,
a cantar,
a brincar.

E toda a floresta clareou
e voltou a sorrir,
a cantar,
a brincar.

Muito triste, o bicho-vinagre continuou azedo, mas entendeu que não se pode prender a liberdade e foi embora da floresta para morar sozinho numa caverna.

Os outros bichos fizeram uma grande festa e tinham uma surpresa: trouxeram muitas flores e, com elas, fizeram perfume e o derramaram em cima do bicho-sabão.

O bicho-sabonete

O bicho-sabão, além de livre, alegre e brincalhão, também ficou perfumado, o que o deixou ainda mais feliz. E, hoje, assim tão cheirosinho, ninguém o chama mais de bicho-sabão. Os animais da floresta o batizaram de BICHO-SABONETE.

Fim.

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O autor:

Sou apaixonado por palavras e viciado em escrever. Escrevo sobre o que vejo, escuto e vivencio diariamente, sobre a vida e suas facetas, sobre o mundo e suas entranhas e sobre o ser humano e seus sonhos, medos e esperanças. Escrevo sem luvas, sempre tentando tocar no assunto, de forma clara, suavemente subversiva, mas sempre carinhosa e profunda.

3 comentários

3 comentários

  1. Genoveva

    13 de junho de 2019 às 11:05

    Oi Gustl,
    Adoro o que escreve e tenho alguns meus preferidos e esse vai entrar na lista, pois acho maravilhoso e de grande sabedoria quando uma historia ludica, que parece escrita para crianças entra em contato com nosso mundo interno e lá acessa nossa sensibilidade para nos re-humanizar! Essa história está no meu catalogo do Pequeno Principe, A andorinha do Mar, O menino do dedo verde e muitos outros..
    Grata por esse presente,
    Genoveva

    • Gustl Rosenkranz

      13 de junho de 2019 às 11:44

      Oi, Genoveva, eu é que agradeço pelo simpático comentário. Toda vez que leio/escuto que algo que escrevi acrescentou a alguém, isso me gratifica. Obrigado 🙂

    • Ana Maria

      16 de junho de 2019 às 09:14

      Bom dia Gustl,Parabéns pelas suas publicações, essa sua história relacionada a perda de liberdade de expressão e do bicho-papão que se torna o bicho sabonete é muito interessante.Nos abre a possibilidade de pararmos e analisarmos os acontecimentos.👍👏🤔👏

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