Gustl Rosenkranz
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Halloween: solte as bruxas, mas poupe os bichos…

Sobre o desvio de comportamento de alguns seres humanos, que maltratam seus animais, tentando humanizá-los e vestindo neles fantasias rídiculas

Com origem na Europa entre os anos 600 a.C. e 800 a.c., mais precisamente na Gália e na Grã-Bretanha, halloween se estabeleceu mais tarde como festividade tradicional no calendário celta da Irlanda ainda sob o nome Samhain, comemorada na noite de 31 de outubro e que significava “dia dos mortos”, mas também “fim do verão” ou “início do novo ano” (no calendário celta, o ano começava em novembro). Com a cristianização da Irlanda, a festa se misturou a tradições católicas e ao “Dia de Todos os Santos”, passando-se a chamar-se All Hallows’ Eve (Dia de Todos os Santos), assumindo mais tarde a forma mais curta halloween.

A festa do “Dia das bruxas”, como é chamada em português, é hoje comemorada principalmente nos Estados Unidos e em outros países de língua inglesa, mas tem ganhado popularidade em todo o mundo, sendo praticamente “importada” por muitas culturas e festejada segundo a tradição americana, com fantasias, abóboras ocas iluminadas e com a distribuição de guloseimas a bruxas e bruxos, fantasmas e monstros que peregrinam nessa noite de porta em porta.

Com o passar do tempo, a festa tem se desvinculado cada vez mais das origens celta e cristã, assumindo um caráter secular e sendo marcada por uma comercialização acentuada e pela perda de um sentido mais profundo. Em muitos países, tem crescido a crítica a essa festa, por estar praticamente destruindo tradições locais comemoradas na mesma época, por causa do abuso por satanistas e ocultistas e devido ao vandalismo praticado por pessoas, que se aproveitam das máscaras e fantasias para esconder sua identidade e destruir o patrimônio alheio.

Mas há ainda outro ponto crítico, que não podemos deixar passar despercebido: os maus-tratos de animais durante a comemoração dessa festa. Já não é fácil compreender porque pessoas importam tradições e costumes estrangeiros sem nem mesmo entender seu sentido, mas o envolvimento de animais, com fantasias, maquiagem e adornos, é menos compreensível ainda. Principalmente cachorros são vítimas desse abuso praticado por pessoas que têm um conceito totalmente errado de relação com seu animal de estimação.

Os cães são enfiados literalmente em fantasias que mal permitem que eles andem normalmente, são obrigados a usar máscaras, seu pelo é pintado e seu rosto maquiado como se fossem gente. Sim, como se fossem gente, e é exatamente aqui que identifico a causa do problema: numa tendência moderna de querer humanizar o cão, de querer transformá-lo em gente, de fazer dele um pequeno ser humano modelável, um bicho-gente-brinquedo, no qual se possa projetar aquilo que, seja lá por qual motivo, desejamos e esperamos, mas não recebemos de outras pessoas. Parece-me um problema sociopsicológico, de difícil compreensão, que tem se alastrado intensamente, às custas dos pobres animais.

Comemore halloween, divirta-se, vista sua fantasia e solte as bruxas, mas poupe os bichos. Eles não são gente, são animais, que merecem ser respeitados e tratados como tal.


Foto: kboing.com.br

Gustl Rosenkranz

Escrevo sem luvas porque tocar é importante.

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