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Não é a raça, é como se cria – Nenhuma raça pode ser culpada pelo tutor que tem

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Não é a raça, é como se cria – Nenhuma raça pode ser culpada pelo tutor que tem

Sobre o erro de estigmatizar determinadas raças, tornando-as mais perigosas do que realmente são

Imaginemos o seguinte: um homem que não sabe dirigir direito senta-se em um Gol e causa um acidente na próxima esquina, atropelando uma pessoa. Com certeza, ninguém diria que a culpa é do carro, muito menos da marca. Mesmo que centenas de motoristas causem acidentes com a mesma marca, ninguém vai dizer que o Gol é um carro ruim, que não serve para andar nas ruas, não é mesmo?

Mas é exatamente isso que acontece com certas raças de cachorro: quando um cão morde alguém, tendemos a colocar a culpa na raça, ignorando que isso só aconteceu porque por trás do cachorro há uma pessoa que não soube lidar com o animal, o que pode ser comparado com o motorista que não sabe dirigir.

Cada raça de cachorro tem suas características específicas, suas peculiaridades. Um tutor que opta por uma determinada raça deveria conhecê-la bem e aprender a lidar com ela. Mas a realidade é bem outra. Pessoas inexperientes, desinformadas e extremamente irresponsáveis criam cães com os quais não sabem lidar. Mais cedo ou mais tarde, ocorre um acidente, com o cão agredindo um ser humano. Culpamos então o animal e a raça termina sendo estigmatizada, é taxada de perigosa e surge um preconceito injusto, que faz com determinados cães terminem tendo uma má fama. E isso é como se fosse uma moda: hoje é a raça X, amanhã será a raça Y. Podemos constatar isso claramente no passado: nos anos 70, culparam o Dobermann, nos anos 80, culparam o Pastor Alemão, nos anos 90 foi a vez do Rottweiler e agora culpam o Pitt Bull.

Quem conhece o Pitt Bull, sabe que ele é um cão robusto, muito forte e ágil, mas perigoso ele não é. O perigo representado pelo Pitt Bull não é maior do que o de qualquer outra raça, ou formulando de forma diferente: qualquer cão pode ser perigoso se não for criado corretamente ou, pior ainda, se for criado de uma forma voltada a torná-lo agressivo. Eu só fui atacado em minha vida por um cão uma única vez, mas não foi um Pitt Bull, nem um Rottweiler, mas sim um Labrador, uma raça que tem uma boa fama, de cão manso, simpático, do qual ninguém normalmente tem medo. Sim, um Labrador, que me atacou por ter um tutor que não sabia lidar com ele, que o criava com violência, mas que não tinha nenhum controle sobre seu cão.

Deveríamos refletir e tentar ver a coisa de forma objetiva, evitando tal tipo de preconceito, pois hoje o cão “perigoso” é o Pitt Bull, mas e amanhã? Qual será a nova raça agressiva? Talvez a raça do seu cão?

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O autor:

Apaixonado por palavras, viciado em escrever, fazendo uso das liberdades mais essenciais que temos: a liberdade de sentir e a liberdade de pensar. Escrevo sobre o que passa por minha cabeça, sobre coisas que vejo, escuto e vivencio diariamente, enfim, escrevo sobre a vida e suas facetas, sobre o mundo e suas entranhas e sobre o ser humano, com seus sonhos, medos e esperanças. Escrevo sem “luvas”, tocando no assunto, pouco preocupado em agradar, querendo mais é mexer com o leitor, de forma clara, suavemente subversiva, mas sempre carinhosa e profunda.

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