Sobre o hábito de comprar roupa nova para o final do ano, dando uma importância exagerada à “embalagem”, como se ela interessasse mais que o que ela embala.

Imagine que você tenha um sobrinho e afilhado, um rapaz de 15 anos de idade, que usa um celular velho herdado do irmão e que deseja muito um novo telefone como presente de Natal. Como os pais não estão em condições de realizar esse desejo do rapaz, você se comprometeu a cuidar desse presente.

Você vai, compra um iPhone no modelo mais recente, com todos os acessórios que se tem direito, leva para casa e guarda o telefone no armário.

Você tem que trabalhar muito e o tempo passa, o Natal chega e você não deu conta de comprar papel de presente, logo você que gosta tanto de embalar bonito!

O sobrinho está esperando ansioso e já está passando da hora de ir, o que lhe obriga a improvisar. Você pega então um pedaço de jornal velho, enrola o telefone e cola com durex.

Você chega morrendo de vergonha por causa da embalagem fuleira, mas vai até o sobrinho, que esperava nervoso, e dá-lhe o pacote. Ele rasga a embalagem rapidamente e vê o telefone.

Agora me responda: você acha que, naquele momento, o sobrinho reagiu como? Você acha que ele se importou com o papel que embalava o presente? Você acha que ele ligou por ser jornal e não um papel chique dourado e caro?

Aposto com você e com qualquer um que uma pessoa que recebe algo que lhe traz grande alegria não está nem aí para a embalagem, que pode ser qualquer coisa, contanto que ela embale o conteúdo certo (desejado).

É claro que empacotar algo com gosto é bacana e um pacote bonito pode mesmo ser melhor que um pacote feio, mas tanto faz se feia ou bonita: embalagem nunca é tão importante, é coisa secundária, já que o que vale, em primeira linha, sempre é o que está dentro.

Bom, esse papo todo foi para falar da mania de achar que se tem que comprar roupa nova para final de ano.

Roupa nova para o final do ano - O que vale não é o conteúdo?

Sabe, comprar pode, claro, mas roupa é a embalagem e você é o presente, então, roupa é secundária e não merece tanta importância. Sei que tem até gente se endividando por achar que tem que gastar com roupa nova, só porque todos fazem isso todos os anos. Isso não é dar importância demais à embalagem?

O que vale para um presente empacotado vale também para a gente: se o conteúdo for bom, a embalagem pode ser qualquer coisa. Se der para embalar direitinho e usar papel de presente (roupa nova), ótimo, mas, se não der, embale com “jornal” (a roupa do ano passado?) mesmo.

Roupa nova para o final do ano - O que vale não é o conteúdo?

Desmistificar a “roupa nova de final de ano”, além de poupar gastos, ainda ensina a se libertar um pouco de expectativas alheias, o que termina poupando outros gastos.

Sejamos sinceros, se um jornal velho não estragaria o brilho de um iPhone, porque que roupa velha estragaria você, que vale e brilha bem mais que qualquer telefone?

E se alguém só lhe valoriza de roupa nova, então pense: essa pessoa gosta de você ou de sua roupa? Se é da roupa, muito superficial, não é mesmo? Minha dica: esqueça quem foca na embalagem e busque quem tenha real interesse nesse conteúdo maravilhoso que você é 😉