Brasil Sociedade

Precisamos de novas opções

A agonia política no Brasil

Acompanhando as discussões sobre a situação no Brasil, registro algo que chamaria de agonia política com efeitos colaterais em toda a sociedade. O Brasil está dividido, não só em dois grupos, mas em muitos, cada um tentando puxar a sardinha para sua rede. Uns defendem o governo petista com grande engajamento e até com agressividade, atacando qualquer um que ouse criticar Lula, Dilma ou o PT. Já outros fazem exatamente o contrário, atacando qualquer um que mostre qualquer simpatia por Lula, Dilma ou pelo PT. Tem um ou outro que aparece balançando a bandeira de Aécio, uns gritam insanamente pedindo a volta da ditadura militar ou tentam tirar a “presidenta” eleita à força, aclamando impeachment. Para bagunçar mais ainda o meio de campo, há gente tentando substituir a Constituição pela Bíblia, religião se intrometendo na política, pastores espertos que sabem bem mover massas fanáticas para atingir seus objetivos. Tem até nazistas se aproveitando da chegada de refugiados para espalhar sua propaganda e sua maldade. E o pior de tudo: falta uma mídia independente, que informe sem manipular. A imprensa no Brasil não anda nada livre e a VEJA assusta com sua clara parcialidade, sem falar da Rede Globo, que continua “educando” via telenovelas e Domingão do Faustão. Nem sabemos mais direito em quem podemos acreditar, já que cada um só conta as verdades e mais ainda as mentiras que lhe convêm. Todos os dias pelo menos uma notícia ruim, mais uma catástrofe, mais alguém preso ou sendo investigado, mais casos de corrupção, mais escândalos, mais desilusão com a classe política, com a sociedade, com tudo…

E enquanto esses grupos ficam de birra e tentando devorar uns aos outros, a maioria fica de olho, sem saber direito como se posicionar, em quem confiar, o que fazer.

Olhamos para prateleira política do país e pensamos: é tudo farinha do mesmo saco! E é, é farinha do mesmo saco, a qualidade da farinha não é lá essas coisas e sabemos disso. Sabemos também que estamos entregues a essa farofa. A coisa não anda bem e uma solução rápida e simples não há. A sociedade não enxerga um caminho claro e nós, sentados no escuro da incerteza, sem saber para onde ir, procuramos uma luz e a luz aparece, bem fraquinha, depois um pouco mais forte, quase pega, mas não pegou, pois ficou fraquinha de novo e apagou de vez. Foi Marina. Será que volta? E se não volta, quem seria então? Há opções? Quais?

No fundo, todos queremos a mesma coisa: um Brasil melhor! E todos nós sabemos que muita coisa tem que mudar. Mas não sabemos bem como. Às vezes, até que sabemos, mas então percebemos rapidamente que queremos mudanças, mas não queremos mudar.

Se queremos mudar o Brasil, precisamos de uma renovação política, de nova gente, de uma nova mentalidade, gente honesta, gente do bem, que tenha a coragem de praticar uma outra política, gente idealista, que saiba lutar por uma causa e não pense sempre tanto em seus próprios interesses, mas também pragmática e com os pés no chão. E, de preferência, gente jovem!

É preciso coragem para começar de novo, refazendo algo que até agora só deu errado, repensando a política brasileira. Mas precisamos entender também que o Brasil só mudará se o povo brasileiro tiver a coragem de mudar também, sendo mais sensato em suas escolhas, entendendo que é melhor apostar no bem-estar de todos a longo prazo do que em vantagens pessoais imediatas, e precisamos rever nossas prioridades e assumir uma maior responsabilidade pelo que é comum, de uma maior civilidade. Uma renovação política só será possível se houver uma outra postura política do próprio povo, já que é ele que tem que cuidar para que a imprensa seja livre, é ele que determina que tipo de polícia que ele quer nas ruas, é ele que tem que saber em que país ele quer viver. E ele decide isso quando vota, mas também quando vai às ruas, quando protesta (pacificamente!), quando se manifesta politicamente de qualquer forma ou mesmo quando se cala e consente.

Vamos perceber que essas mudanças começaram no dia que um eleitor for procurar um amigo que virou vereador (ou prefeito, ou deputado, ou governador…) para cobrar as promessas feitas e não para pedir um favor pessoal. Ou quando passarmos a gastar um pouco menos de nosso tempo para nos distrairmos na internet ou na frente da TV e usá-lo também para buscar informações, boas leituras, novos conhecimentos, coisas que nos ajudam a entender pelo menos um pouco melhor a situação complexa que nos cerca, a refletir e diferenciar, nos tornando assim mais independentes. Acredito que uma sociedade só pode funcionar bem se seus integrantes (pelo menos a maioria) forem pessoas livres. Essa liberdade conquistamos através de consciência, que ganhamos através de conhecimentos, que recebemos, não somente, mas principalmente através de uma boa educação. Mas não podemos esperar que governo algum nos eduque. Cada um de nós pode fazer sua parte, se informando, entendendo o contexto, pensando com a própria cabeça, ao invés de correr cegamente (mas acreditando enxergar) atrás de qualquer rebanho. Se queremos mudanças, temos que ter a coragem de mudar. E, se precisamos de novas opções, seria bom entender que somos nós mesmos que as criamos.

E então, vamos começar a mudar?

Curta minha página no Facebook para acompanhar minhas publicações.

Sobre o autor

Gustl Rosenkranz

Blogueiro brasileiro residente em Berlim, apaixonado por palavras, viciado em escrever, fazendo uso das liberdades mais essenciais que temos: a liberdade de sentir e a liberdade de pensar.

Comentar

Clique aqui para escrever um comentário